Pedagogia Ecológica

Contexto

Actualmente tem-se assistido ao recurso em massa aos Sistemas de Gestão de Aprendizagem, vulgarmente denominados por LMS (Learning Management System), como forma de potenciar o ensino, fomentar a motivação dos alunos e consolidar as actividades presenciais da sala de aula. Porém, a maioria das aplicações web actuais apresenta-se ainda como mero meio de distribuir informação estática (Paquete, 2003). Torna-se determinante ressaltar que não são as tecnologias em si a fonte da vantagem educacional, mas sim a aplicação criativa e reflexiva que lhe é dada (Santos, 2000), uma vez que a tecnologia não substitui o professor nem garante a aprendizagem (Moreira, 2000). Neste sentido, a evolução da tecnologia educativa deve ser encarada como incremento de um potencial estratégico e pedagógico, acentuando a consciência de que é necessário ir mais além.

Uma educação mais eficiente, passará necessariamente pelo recurso a uma maior diversidade de actividades e estratégias de aprendizagem, que abarquem o maior número possível de estilos individuais de aprendizagem (Davis, 1993).

No entanto, a necessidade de repensar os processos pedagógicos e o seu ajustamento aos recursos tecnológicos de suporte, levanta várias questões, nomeadamente no que respeita às metodologias e processos.

Descrição do projecto

Este projecto é construído com base numa analogia à conhecida política ecológica dos 3 Rs: reduzir, reutilizar, reciclar, transformados num processo de três etapas: (re)Desenhar, (re)Utilizar e (re)Distribuir.

A pedagogia ecológica assenta no princípio da transformação de conteúdos estáticos em conteúdos dinâmicos, abstractos e flexíveis o suficiente para poderem ser transpostos para diferentes contextos de ensino-aprendizagem, e adaptados a novos contextos/ambientes. Estes conteúdos apresentam um desenho conforme a padrões internacionalmente estabelecidos (como por exemplo, o IMS-LD), subsistindo em formatos compatíveis com as mais diversas aplicações educativas actuais.

Pedagogia Ecológica

Este processo apresenta como etapas, três conceitos essenciais, que podem ajudar na redefinição do papel e competências do professor:

(re)Desenhar | Desenho de conteúdos / Redesenho de conteúdos recuperados

Numa primeira linha, o docente deve ser capaz de redesenhar os seus materiais pedagógicos com recurso a ferramentas de autoria que permitem a criação de UoLs (Units of Learning), gerando assim ambientes de ensino dinâmicos, interactivos e personalizados. Numa segunda linda, o docente deve ser capaz de recuperar conteúdos dinâmicos acabados e transformá-los, num processo em que os ajusta às suas necessidades pedagógicas. Isto torna-se possível quando, por exemplo, é aproveitada a mesma estratégia/conjunto de estratégias para abordar temáticas diferentes. Toda a estrutura lógica do conteúdo pode ser mantida, sendo ajustado somente o seu conteúdo e propriedades.

(re)Utilizar |Utilização de conteúdos construídos / Reutilização de conteúdos recuperados

Após o processo de construção, as UoLs podem ser testados e implementados, podendo considerar-se novos ajustamentos ao nível das estratégias e dos conteúdos, se necessário. A implementação dos UoLs deve permitir ao professor efectuar a monitorização das aprendizagens globais e individuais, a fim de que esses mesmos UoLs possam ser avaliados e validados.

(re)Distribuir | Distribuição de conteúdos construídos / Redistribuição de conteúdos recuperados

A possibilidade de recuperação de conteúdos dinâmicos será tanto maior quanto for o esforço global de partilha de recursos. Neste sentido, devem ser gerados incentivos de construção de repositórios de UoLs que permitirão gradualmente rentabilizar o tempo de reconstrução/adaptação de conteúdos pedagógicos. Estes conteúdos poderão ainda ser distribuídos com licenças de autoria (por exemplo, do tipo Creative Commons), preservando o autor e os conteúdos, sem os desprover da flexibilidade necessária ao processo de redesenho.

Metodologia

Este projecto pretende, através do recurso a software do tipo WYSIWYG (What You See Is What You Get), promover a construção de ambientes de ensino virtuais estruturados por sequências multimédia de actividades de aprendizagem. O recurso a este tipo de software tem como objectivo aumentar os níveis de acessibilidade na produção de conteúdos pedagógicos multimédia interactivos por parte dos professores.

Será convidado um pequeno grupo de docentes de áreas disciplinares distintas que apresente como características fundamentais a propensão para o uso das tecnologias, a motivação pela introdução de novas práticas na sua actividade lectiva e a capacidade de exercer influência positiva junto dos restantes membros do corpo docente. A este grupo inicial de docentes será apresentado um sistema multimédia de gestão de sequências de actividades de aprendizagem (LAMS – Learning Activity Management System) de manuseamento gráfico acessível. Estes docentes receberão formação técnica e pedagógica orientada à construção de sequências de actividades de aprendizagem, que posteriormente utilizarão com os seus alunos.

Em paralelo será desenvolvido um centro de recursos de apoio a este processo, com componentes:

  • destinadas à formação de docentes e esclarecimento de dúvidas: tutoriais interactivos acerca da ferramenta LAMS e outras consideradas complementares/necessárias;
  • reservadas à partilha de sequências de actividades de aprendizagem entre docentes, de forma a promover a colaboração disciplinar entre instituições e a partilha de conteúdos multimédia;
  • à exploração de sugestões e estratégias pedagógicas orientadas a ambientes virtuais, recolhidas em campo e durante o estudo realizado.

Objectivos

– Incentivar ao desenvolvimento de práticas pedagógicas mais reflexivas e diversificadas;
– Incentivar a capacidade de produção de conteúdos multimédia dinâmicos;
– Promover alterações positivas ao nível das práticas pedagógicas;
– Aproximar o papel do actual docente com o de tutor definido nos pressupostos do Acordo de Bolonha;
– Estimular a capacidade de realização de um estudo autónomo por parte dos alunos;
– Transportar os alunos para ambientes multimédia colaborativos on-line;
– Estimular a capacidade da aprendizagem reflexiva nos alunos;
– Compilar e divulgar informação pedagógica e técnica de auxílio ao processo de ensino/aprendizagem;
– Disponibilizar meios e recursos multimédia pedagógicos de apoio à actividade lectiva;
– Fomentar a diversidade de formatos dos conteúdos/disciplinas on-line;
– Potenciar modificações positivas na cultura das instituições;
– Aumentar o número de recursos pedagógicos disponíveis na Internet.

 

Bibliografia

Almeida, M. (2003). Educação, ambientes virtuais e interactividade. São Paulo: Educação On-line – Edições Loyola.

Ask, B. & Haugen, H. (2003). Pedagogical Approaches to e-Learning.

Britain, Sandy (2005). A Review of Learning Design: Concept, Specifications and Tools.

Dalziel, J. R. (2003). Implementing learning design: The Learning Activity Management System (LAMS). Apresentado na ASCILITE 2003, December 7-10, 2003, Adelaide, Austrália.

Davis, B. (1993). Tools for Teaching. San Francisco: Joey Brass.

IMS (2003). IMS Learning Design specification V1.0. [Online]

http://www.imsglobal.org/learningdesign/index.cfm [10 Janeiro 08]

Moran, J. (2003). Contribuições para uma pedagogia da educação online. São Paulo: Educação On-Line – Edições Loyola.

Moreira, V. (2000). Escola do Futuro. Sedução ou inquietação? As novas tecnologias e o reencantamento da escola. Porto, Portugal: Porto Editora.

Olivier, B., & Tattersall, C. (2005) The Learning Design Specification. Em Koper, R & Tattersall, C. (Eds.), Learning Design: A Handbook on Modelling and Delivering Networked Education and Training, Berlin: Springer.

Paquette, G., & Rosca, I. (2004). An Ontology-based Referencing of Actors, Operations and Resources in eLearning Systems. Apresentado na 2nd International Workshop on Applications of Semantic Web Technologies for E-Learning, Agosto 23-26, 2004, Eindhoven, Holanda.

Rob Koper, Bill Olivier (2004). Representing the Learning Design of Units of Learning. Educational Technology \& Society,7 (3), 97-111.

Santos, A. (2000). Ensino à Distância e Tecnologias de Informação. Lisboa, Portugal. FCA – Editora de Informática.

Wiley D.A. (2002). Connecting learning objects to Instructional design theory: a definition, a methaphor, and a taxonomy. Em Wiley (Ed) The Instructional Use of Learning Objects. Agency for Instructional Technology and Association for Educational Communications of Technology, Bloomington, Indiana, 281 pages.

Luciana Oliveira

Uma resposta to “Pedagogia Ecológica”

  1. Pedagogia Ecológica « Arte e Comunicação Multimedia UP Says:

    […] Pedagogia Ecológica Consultar o projecto […]

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