Representação do Corpo no Espaço

by

Mafalda Alves Carreira

Objectivo

Criação de um espaço virtual a partir de espaços reais que permitam representar o corpo. Com o objectivo de sensibilizar o utilizador para a problemática da descorporização do corpo humano enquanto emergido no espaço virtual. Qual é a dimensão do espaço que ocupamos? E que espaço ocupa o nosso corpo no espaço?

Contextualização

O Espaço

“…a televisão e os multimédia esmagam os planos aproximados do tempo e do espaço como uma fotografia na teleobjectiva esmaga o horizonte”

A noção de espaço aparece por Aristóteles entendida como a relação entre corpos e portanto intimamente ligada á noção de tempo do movimento. Depois com a mecânica de Newton supôs-se a existência de um espaço e de um tempo contínuos e absolutos. Por isso independentes do observador. A teoria da relatividade de Albert Einstein, veio mais tarde por em questão a concepção absoluta do espaço e do tempo, aqui o espaço depende do tempo e surge a ideia de espaços paralelos.

Hoje, para além destas teorias sobre o espaço, encontramos problemáticas relacionadas com a concepção do espaço. Existem espaços físicos que são aqueles onde existe algo palpável onde é possível definir a sua dimensão coma existência de um corpo. Depois temos os espaços cognitivos e comunicacionais. Aqui podemos considerar todos aqueles em que o corpo não está fisicamente como a televisão e o ciberespaço.

Os novos espaços comunicacionais e cognitivos serão então aqueles onde o corpo só interage mentalmente. A televisão é um espaço em que emergimos, mas o qual ainda não podemos controlar. Sentados no sofá entramos naquele espaço e somo controlados visualmente pelas imagens, o cérebro deixa de funcionar para responder apenas a estímulos resultantes da nossa experiência, não existe uma reflexão sobre aquilo que estamos a ver e ouvir. Este espaço acaba por ser um dos responsáveis pela uniformização de pensamentos e ideias no mundo contemporâneo.

O espaço virtual (cyberspace, ou espaço de controlo) é um espaço tecnicamente desenvolvido onde o corpo “descorporaliza-se” porque não se move, mas mergulha num mundo controlável, paralelo aquele onde está fisicamente. A tendência para o desenvolvimento destes espaços é tentar que o interface com este espaço seja de tal modo eficaz que deixem de existir barreiras para a sua utilização. Por isso desenvolvem-se técnicas para que se possa emular os sentidos humanos porque é através deles que o corpo consegue responder a estímulos, e ter emoções. A utilização destes espaços comunicacionais e cognitivos levam a questões relacionadas com a realidade. Quando é que estamos no real? Quando é que termina o real e começa o irreal? Somos então como refere Derrick de Kerchove “ … nómadas telemáticos libertamo-nos dos constrangimentos de uma coincidência histórica entre o “espaço” e o “tempo” e ganhamos o poder de estar em todo o lado sem sairmos do sítio. Esta capacidade traz consigo a responsabilidade de expandirmos as nossas personalidades psicológicas para além dos limites da pele e do corpo.” Assim o espaço pode ser entendido com uma sobreposição de espaços. “…qualquer lugar passa a ser definido pela sobreposição de fluxos materiais e imateriais e a ser uma sobreposição contígua do clássico espaço territorial físico com o ciberespaço das redes digitais, da qual resulta um meta-espaço único onde decorrerá a vida humana.”.

Outras das questões relacionadas com o espaço é a possibilidade de este se tornar um prolongamento do corpo, como já existem objectos com essas características, onde a ambição é eliminar as barreiras entre o corpo e a máquina.

Nos espaços arquitectónicos, onde o importante é a interacção que aquele espaço vai ter com o utilizador, como se tornassem próteses arquitectónicas. “Vidler prognostica que a prótese-arquitectónica não se limitará á mera imitação do mundo orgânico. Mais do que complementar o corpo, hibrida-se com ele.” Os novos espaços arquitectónicos (Hybrid-Spaces) caracterizam-se pelas tecnologias de comunicação digitais usadas. Aqui o importante é a informação, constituindo-se como nódulos das redes telemáticas com performances independentes da sua localização. Passando assim os espaços a ser dotados de “inteligência”.

O Corpo

“ O universo inteiro é o seu corpo e a física a sua linguagem.”

O Corpo é definido pelas suas características físicas, biológicas e mentais. O desenvolvimento da técnica só existe porque existe um corpo. No mesmo sentido em que só existe espaço ou objecto com a presença do corpo que o determina.

Existe uma tentativa de tornar os espaço e os objectos cada vez mais próximos do corpo, como se o objectivo fosse torná-los parte integrante destes como que prolonga-lo. Uma das técnicas já utilizadas é o eye-tracking, que consiste no contacto com imagens e interfaces que se aproveitam das ondas cerebrais, assim como projecções de laser directamente na retina. O corpo é assim estudado de tal forma que seja possível emulá-lo. Emular os sentidos, os movimentos para que elementos como a brisa marítima ou até mesmo uma carícia seja substituída. Com isto o espaço virtual pode-se tornar mais real, o corpo emergente no espaço, consegue controlá-lo ao mesmo tempo que consegue obter sensações e emoções que antes só conseguia se existisse a presença do outro.

“ Na eminência da realidade virtual podemos achar cada vez mais difícil distinguir entre as nossas identidades naturais e as extensões electrónicas”. Decartes reduz o corpo á sua mente. “Uma coisa que sente parece qualquer coisa de diferentes em relação a uma coisa que pensa e uma coisa que se mexe…” Podemos então dizer que nesta perspectiva o espaço físico deixa de existir. Ou podemos estar em espaços paralelos? Ao mesmo tempo que estamos num espaço físico, podemos estar num espaço cognitivo ou comunicacional. Ou será que eles se anulam?Mas se o espaço é definido em relação ao movimento dos corpos num determinado instante, posso então concluir que se não há movimento não existe espaço. Ou seja se corpo não se movimenta o espaço reduz ao nada, ou melhor pode reduzir-se ao seu próprio corpo. Esta problemática levanta questões que ponhem em causa real. Até que ponto saímos de uma realidade para entrar noutra, e qual será a verdadeira. Ou será como refere Bragança de Miranda “… o espaço só pode ser pensado como espaçamento e não como espaço. Ele é a origem de todo o espaço, mas fica sempre de fora, confundindo-se de certa forma com a Physis. Por isso mesmo, o «real» é sempre «cancelado», e isso é feito pela imposição do simbólico, que recorta, divide e fragmenta, criando um espaço cadastrado e controlável.” Os tradutores comportamentais, a computação inclusiva e a psicologia intencional são as três tecnologias base para a existência da Realidade Virtual e acaba por ser mundos multisensoriais onde o corpo participa de forma interactiva, de tal forma que pode-se tornar idêntico á realidade física. Mas onde é que ficam aquelas sensações e emoções características da experiência humana… “Ter medo de abrir uma porta ou simplesmente ver uma porta são intensidades porque estão ligadas a uma experiência concreta, subjectiva que é sempre uma experiência do mundo” “O corpo tornou-se na derradeira utopia da época. Mas é pensável um corpo que não tenha lugar ou que não esteja em algum lugar? Ou um corpo «perfeito» ou «glorioso» que escape á fragilização que o tempo desfere nos corpos?”

Objecto

Corpo, Espaço

Metodologia

  • Pesquisa teórica sobre a problemática da relação corpo, espaço e técnica.
  • Desenvolvimento do espaço virtual com base em imagens reais, utilizando as tecnologias adequadas.

Bibliografia e Referências

– Virilio, Paul, Cibermundo uma Politica do Pior
– De Kerkchove, Derrick – A Pele da Cultura
– Furtado, Gonçalo – Revista Comunicação e Linguagens
– Perniola, Mario – Sex Appeal do Inorgânico
– Bartolo, José Manuel – Revista Comunicação e linguagens
– A.Bragança de Miranda, José – Teoria da Cultura
http://mouseland.blogs.ca.ua.pt/category/cibercultura/
http://pontotxt.blogspot.com/

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