Digital Deconstruction

by

Arte e Comunicação Multimédia – Mestrado em Multimédia
Humberto Duarte, Patrício Brito e Ricardo Falcão.

target

Digital Deconstruction

Uma nova interpretação da função

“Estes arranjos caóticos da forma serão a harmonia artística no futuro”
Wassily Kandinsky

Objectivo(s)

Reflectir sobre os objectos e as suas relações com o individuo.

Que estamos rodeados de objectos é um facto constatado. O homem, as sociedades, conforme as suas necessidades, vai criando para os objectos categorias de significados. Nesse sentido, eles podem ser: objectos domésticos, barrocos, folclóricos, exóticos, religiosos, masculinos, femininos, entre outros. Podem ainda, com intenção menos funcional, serem motivos de lembranças, saudades e subterfúgios.

Os objectos guardam uma série de significações que aludem a modelos e estilos. Através de suas cores, materiais e design,podendo, também remeter-nos à ideia de tempo. Sobre essa relação com o tempo, Baudrillard escreve “Não se trata, é claro de tempo real, são os signos ou indícios culturais do tempo”.

Com base nestes pressupostos queremos com esta proposta levantar algumas questões de índole teórica mas com um resultado real, ou seja, queremos construir ou reconstruir alguns objectos de forma a que questões, da própria génese e do valor do objecto sejam postas num plano mais próximo do utilizador.

Um outro objectivo passa pela exploração da narrativa interactiva pois esta assume-se nos dias que correm como um elemento dos mais importante quando falamos em multimédia e mais particularmente em interactividade. O que fascina a maioria dos criadores multimédia é que de certa forma a sua obra chegue ao utilizador e este a assimile.

Contextualização

O objecto como reflexão artística possivelmente tem o seu momento de maior questionamento e conflito aquando da introdução do conceito “readymade”, pelo artista francês Marcel Duchamp (1887-1968) em 1912. Duchamp transporta os objectos de consumo fabricados e produzidos industrialmente, para um novo contexto diferente do original, de forma a serem vistos como arte e como tal serem apreciados esteticamente.

Esta comunicação analisa alguns significados que um mesmo objecto pode assumir dependendo do espaço em que ele está inserido. Isso vai depender da intencionalidade do sujeito apropriador,
de forma a nos aproximarmos da descontextualização dos objectos e suas relações espaciais.

O artista contemporâneo convive com uma produção de conceitos que, distendidos e rearticuláveis, se deslocam de um campo estrito ou seguramente estético da arte para outras várias categorias do conhecimento. É certo que, num desses momentos de fluxo transitório, a obra perde a sua autonomia estética puramente formal e se contextualiza num mundo carregado de contra-informações, operando outros sentidos expandidos dentro de uma dinâmica de significações.

Assim, pensar acerca da condição da forma, como critério e processo na arte contemporânea, parece ser um desafio que oscila entre dois pontos: o primeiro, seria atribuir-lhe um lugar que não seja o da sua construção pura; o segundo seria conceder-lhe uma outra condição que não seja a sua mera descontextualização. E a partir desse desafio, talvez possa interessar uma forma processual que, ao mesmo tempo, não abra mão da construção do objecto, e o recoloque com uma outra proposição de significado no mundo.

Objecto(s)

Uma instalação sobre a forma de um dispositivo ou conjunto de dispositivos/equipamentos que quebram com as normas de funcionamento tal qual as conhecemos.

Imaginem um rádio, que com as devidas alterações, ao mudar a frequência em vez de novos sons obtemos novas imagens numa tela ou num televisor que esteja a partilhar o espaço. Mas tal qual o rádio, podemos também alterar outros equipamentos e quebrar os códigos que esses transportam.

É o caso do Micro-Ondas-Giradiscos, com o propósito de suscitar um olhar curioso por parte do espectador interveniente, resultante da nova contextualização funcional. O mecanismo rotativo implícito na sua estrutura, permite introduzir novos códigos de utilização. Os discos personificam de forma irónica um menu auditivo, como se de Fast Food se trata-se, só que o utilizador irá deliciar-se com Fast Music. A metamorfose que este novo objecto adquiriu, camuflada como uma Joke Box. Pretende desafiar as pessoas intervenientes a reflectir sobre uma nova era. A era da arte performativa.

Metodologia

Existem, assim, dois grandes focos de análise: a identidade e a produção artística (enquanto eixo transversal a estas duas dimensões). O objectivo será então, traçar (ou destruir) a ideia de que existe uma identidade funcional contemporânea implicita nos objectos que teimam em perdorar ao longo de séculos. Não se tratando necessariamente de vivências comuns de utilização, essa ideia comum entre todos, assumida pela intervenção artística, colminará na ideia de destruição de uma ideia ancestral que os unia como um todo homogéneo.

Parece também importante definir desde já o que aqui se entende por produção artística. o artista no seu todo, será muito mais do que aquele que pratica a arte, será (a bem da sistematização) aquele que a cria; e como tal, cuja obra sofrerá uma maior e mais directa influência da sua memória individual e colectiva.

O conceito que define a criação artística enquanto metodologia projectual para esta instalação interactiva, se é consciente do processo, se o trabalha, e se a mesma consistir num descentramento e posterior re-centramento simbólico das formas utilizadas – permitirá um mecanismo cognitivo no campo da imaginação pela atribuição de novas e renovadas significações, devido a uma máxima implicação, não só do indivíduo criador no processo artístico, assim como, de uma implicação física consciente e transformadora.
Será subjacente a implicação directa do próprio espectador na obra, de forma reflectiva. convidando-o a uma maior propensão analítica da construção/reconstrução/destruição de estruturas, ou parte delas, identitárias.

Horizonte temporal

Criar uma instalação onde os objectos serão alvo da acção do espectador/ utilizador de forma a maximizar uma plena compreensão e leitura da obra. Os dispositivos deverão permitir ao utilizador uma rápida compreensão da sua utilização, e simultaneamente incutir-lhe uma perplexidade ambicionada. De mero utilizador dos objectos ditos quotidianos, o individuo deverá reverse num mundo mágico, de jogabilidade e entretenimento.

Para tal, temos em vista como primeiro local para a implementação da instalação a Oficina Cultural do IPVC em Viana do Castelo, o que deverá acontecer em meados de Julho(a confirmar com o gestores do espaço).

Conclusão

Is your forward, thinking backward? In D&AD WORKOUT

Bibliografia, referências

MOURA, Leonel. Robotariam X. Lisboa: Fenda, 2007
BAUDRILLARD, Jean. O Sistema dos Objectos. São Paulo: Perspectiva, 1967. p. 82.
MUSTIENES, Carlos. 1000 Extra/ Ordinarios Objectos. Madrid:Taschen, 2005
MUNARI, Bruno. Das Coisas Nascem Coisas. Lisboa. Edições 70, 2006

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: