A Multimédia na Dislexia

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Um projecto de: Joana Duarte

Contexto

Actualmente, a nossa sociedade é invadida por uma população com um nível cultural bastante baixo. Só uma parte da população se dedica à leitura de livros, revistas e jornais, e entende plenamente toda a informação visual e verbal oferecida pelos meios de comunicação social, em especial, pela televisão. Toda a outra parte da população apresenta um nível de leitura e escrita insuficiente, que se traduz por reduzidos ou nenhuns conhecimentos das mesmas. O analfabetismo e a iliteracia (dificuldade em ler, interpretar e escrever) atingem, com efeitos, taxas consideradas ainda elevadas no nosso país.Esta insuficiência na leitura e escrita pode ser justificada por vários factores nomeadamente por causas sociais, económicas, educacionais ou de saúde (perturbações cognitivas, atrasos mentais, etc.). Uma das grandes dificuldades de aquisição da leitura e escrita menos conhecida pela população em geral é a dislexia.Ao longo dos tempos, tem-se vindo a verificar que o sistema escolar, de um modo geral, premeia alunos com sucesso escolar, discriminando aqueles que, à partida, parecem manifestar menos possibilidade de sucesso. A verdade é que todas as crianças, potencialmente e desde que não possuam nenhuma inaptidão grave, podem vir a ser adultos eficientes, responsáveis e intervenientes e desempenhar um papel de relevo na sociedade, mesmo aquelas que apresentam dificuldades na leitura e escrita, ou seja, aquelas que apresentam dislexia. Os alunos com menores rendimentos escolares não podem ser considerados como “pessoas menores”, pois, com o devido acompanhamento, também eles poderão atingir as metas estabelecidas pela sociedade. A inexistência da ajuda adequada no momento certo pode contribuir para a formação de indivíduos excluídos socialmente e com muita dificuldade em superar todos os desafios que lhes venham a ser colocados ao nível pessoal, social e profissional.

Motivação / Justificação da ideia

Com isto, torna-se muito importante que a escola disponibilize aos alunos do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, no tempo preciso, professores, técnicos, meios e métodos adequados para o acompanhamento de alunos com dificuldades. Assim, parece pertinente apostar na educação através de computador, uma vez que o uso de um software educativo adequado poderia tornar-se numa alternativa aliciante para minorar as dificuldades educativas de alguns alunos. Depois de um estudo aprofundado sobre a dislexia de desenvolvimento, em especial nas crianças entre os 6 e os 7 anos (inicio da idade escolar), proponho-me criar uma aplicação multimédia de apoio a crianças que vivem todos os dias com esta perturbação.  

Em 2003, a Associação Internacional de Dislexia adoptou a seguinte definição:«Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correcção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um défice fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora, experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais».” (apud Teles, 2004:714-715).  

A dislexia encontra-se dividida em dois tipos: Dislexia de desenvolvimento ou evolutiva e Dislexia adquirida. No entanto, o meu trabalho centra-se apenas na Dislexia de desenvolvimento. Esta dislexia é de uma dificuldade de aprendizagem da leitura por parte das crianças, de um défice inato, que normalmente só é detectável no início da alfabetização. O sujeito disléxico manifesta desde o início da aprendizagem dificuldades em adquirir a leitura e escrita correctamente. 

Segundo a minha investigação sobre este tema, os vários autores retratam diferentes tipos de dislexia. Assim, segundo Torres e Fernández (2001) existem 3 tipos de dislexia distintos: dislexia “fonológica”, dislexia “morfémica” e dislexia “visual analítica”. Para que o meu projecto possa ser mais específico, vou centrar-me na dislexia “visual analítica”. Esta está ligada a uma perturbação a nível visual, na qual, por vezes, há uma troca de letras numa palavra, como por exemplo, “vredardeiro” em vez de “verdadeiro”. Na dislexia visual, são apresentados resultados insatisfatórios nos testes de memória visual e bons resultados nos testes fonológicos. 

 Objectivo do trabalho

Na disciplina de Arte e Comunicação Multimédia proponho-me então começar a realizar as ilustrações a serem inseridas posteriormente no produto pensado.Serão produzidas personagens, cenários e imagens pertencentes a actividades.As ilustrações serão em forma de desenho vectorial e realizadas de forma a cativar a atenção e interesse do público-alvo de modo a que com o tempo as crianças disléxicas possam superar algumas das suas dificuldades. 

Metodologias de trabalho

Depois de um estudo teórico sobre este assunto passarei à fase prática.Desta forma o software que penso usar será:Adobe Ilustrator e Macromedia Freehand – criação de todas as imagens e cenários;Adobe Photoshop – tratamento de imagem;Macromedia Flash – software onde serão estruturados os conteúdos e que nos permitirá a interactividade entre os mesmos;Adobe Premiere – para edição de vídeo presente na aplicação;Adobe Audition – edição e manipulação do som. 

Horizonte temporal

Este projecto está relacionado com o meu projecto de tese. Desta forma, proponho-me começar em Março mas provavelmente o produto final apenas estará concluído em Julho de 2009. 

Resultados

Depois de realizadas as ilustrações, o objectivo será introduzi-las na aplicação. Assim, e posteriormente com o produto construído gostaria de conseguir demonstrar como as novas tecnologias, e em especial a tecnologia multimédia, podem ajudar este grupo muito específico da nossa sociedade, contribuindo para uma melhoria da sua inserção no sistema escolar. O projecto deverá apontar para a vantagem da utilização dos meios multimédia no ensino de crianças com problemas de aprendizagem da leitura, procurando preencher uma lacuna nos materiais didácticos vocacionados para crianças disléxicas.   

Bibliografia

AAVV (2002). Cadernos da APDIS. Porto: APDIS, nº1; AAVV (1990). Reforma Educativa. Algueirão: Editorial do Ministério da Educação; ELLIS, A. W. (1995). Leitura, Escrita e Dislexia – uma Análise Cognitiva. 2ª Edição. Porto Alegre: Artes Médicas; REBELO, José Augusto da Silva (1993). Dificuldades da Leitura e da Escrita em Alunos do Ensino Básico. 1ª Edição. Edições Asa; ROCHA, Bárbara Pinto da (2004). A Criança Disléxica. Lisboa: Fim de Século – Edições; SÁ-COUTINHO, Cristina de et al (s/d). Cadernos de Reeducação Pedagógica Dislexia 1. Porto Editora; SNOWLING, Margaret J. (2004). Dislexia. 2ª edição. Livraria Santos Editora Ltda.; TELES, Paula (2004). “Dislexia: Como identificar? Como intervir?”, in Revista Portuguesa de Clínica Geral. Carnaxide. Vol.20, n.º 6, pp. 713-730; TORRES, Rosa María Rivas e FERNÁNDEZ, Pilar (2001). Dislexia, Disortografia e Disgrafia. Lisboa: Editora McGraw-Hill de Portugal, Lda. 

Webgrafia

Associação Portuguesa de Dislexia (s/d). “O que é a dislexia?”. Disponível em http://www.apdis.com; Texto Editores (2001). “Júnior”. Disponível em http://www.junior.te.pt

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