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HAND
TYPOGRAPHY

Arte e Comunicação Multimédia
Filipa Isabel Rodrigues Gonçalves

Objectivos

Consciencialização da evolução da técnica tipográfica até aos dias de hoje.
Confrontação do acesso à tipografia e à sua impressão nos anos 70 e nos dias de hoje.
Comparar processos e práticas de um mesmo objectivo em diferentes épocas, que são completamente influenciadas pelas tecnologias disponíveis em cada uma das fases.
Tipografia analógica Vs Tipografia digital.
Impressão analógica Vs Impressão Digital.

Contextualização

“A tipografia (do grego typos — “forma” — e graphein — “escrita”) é a arte e o processo de criação na composição de um texto, física ou digitalmente. Assim como no design gráfico em geral, o objectivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação impressa.”

“A prensa de tipos móveis, foi um processo gráfico criado por Johannes Gutenberg no século XV. Inicialmente a prensa era usada para produção de livros mas, a partir do século XVIII, foi usada para imprimir jornais, então os únicos veículos jornalísticos existentes.”

“Impressão é a tarefa ou actividade de transferir para um suporte qualquer (papel, tecido, documento electrónico etc.) um determinado conteúdo ou conjunto de signos (letras, palavras, textos, figuras) armazenados em um formato digital para fins de comunicação.” Wikipédia

do Lat. impressione
s. f.,
acto ou efeito de imprimir; pressão; coisa impressa; marca, sinal que fica ao imprimir;
Fot.,
primeira operação do processo de passagem a positivo e que consiste em impressionar o papel (ou chapa ou película, se se pretende obter um diapositivo) através de um negativo;
http://www.priberam.pt

Bem como outros processos, a impressão tipográfica sofreu uma grande evolução, sendo arrastada pelos avanços tecnológicos, transformando um processo bastante elaborado, complexo e demorado numa acção de poucos segundos. A diferença processual é assustadora e ao mesmo tempo encantadora. Os métodos de impressão acessíveis ao utilizador dos dias de hoje resumem-se ao computador e à impressora que todos nós possuímos em casa. É o necessário para uma impressão rápida e eficaz de documentos. Muitos marcos históricos influenciaram este resultado.
No séc.XV, em pleno auge do Renascimento surgiram as primeiras impressões a nível europeu, designada prensa móvel onde eram usados tipos móveis (caracteres soltos gravados em madeira ou chumbo que permitiam formar palavras e textos) que eram reutilizáveis. Esta tecnologia surgiu com Johannes Gutenberg no ano de 1440, mas no ano 1041 já tinha sido inventado o tipo móvel mas nesta altura os tipos eram usados apenas uma vez. Os tipos móveis eram guardados em grandes armários designados por “cavaletes” distribuídos por gavetas, sendo internamente dividida por pequenas zonas (“caixotins”) em que cada um estava destinado a um caractere, nestas gavetas cabiam todos os caracteres de uma mesma família tipográfica (letras, números, símbolos). Marshall McLuhan designou esta fase como o início do “homem tipográfico”. Surgiu a verdadeira importância da tipografia impressa que permitiu a evolução da própria comunicação impressa em massa com o aparecimento dos jornais que desempenharam um papel muito importante nas épocas de guerra (uso de grandes manchetes para captar a atenção para os assuntos mais importantes e de última hora). As páginas de jornais eram construídas letra a letra pelo Homem , ou melhor caracter a caracter e depois impressas.
Durante muitos anos a tipografia (como actividade projectual e industrial gráfica) era limitada a profissionais da área, os tipógrafos (especializados na composição e construção de “chapas” de texto e na sua impressão). Era a “Arte de dispor correctamente o material de imprimir, de acordo com um propósito específico: o de colocar as letras, repartir o espaço e organizar os tipos com o objectivo de dar ao leitor a máxima ajuda para a compreensão de um texto.”, segundo Stanley Morison (1929). Esta “arte” foi-se desenvolvendo tanto a nível do aparecimento de uma diversidade de tipos tipográficos, como a nível da técnica de impressão e dos avanços tecnológicos e industriais das máquinas de impressão. Ao nível da tipografia, foi por esta altura que surgiram algumas fontes que ainda hoje são utilizadas, tendo como melhor exemplo a Times New Roman. Estas fontes permanecem até hoje existindo as suas versões em versão digital. Mas o facto é que a utilização destes tipos móveis manteve-se durante séculos, o que na realidade evoluia eram as impressoras, porque a técnica permaneceu a mesma (no caso da impressão industrial). Ainda nos dias de hoje em algumas tipografias, poucas, se recorre ao uso destes caracteres (o caso de documentação das finanças, na numeração das páginas). Alguns modelos de máquinas de impressão sobressaíram nesta área e sobreviveram aos dias de hoje, adaptando-se à evolução tecnológica e às necessidades do utilizador, é o caso da marca alemã Heidelberg.
Em 1936 surgiu o primeiro computador electromagnético, com Konrad Zuse, um engenheiro alemão. Não foi automaticamente aceite pois não trazia vantagem para a guerra alemã. Entretanto os americanos aproveitaram a oportunidade para iniciarem a construção de outros computadores. Só na Segunda Guerra Mundial é que surgiram definitivamente os computadores, numa parceria entre a marinha americana e a Universidade de Harvard. O computador tinha como nome “Harvard Mark l”. O Mark l ocupava 120m3. A partir daqui até aos nossos dias o computador sofreu avanços assustadores, dos 120m3 que ocupava passou ao extremo de portabilidade chegando, em alguns casos, a pesar pouco mais que 1kg e possuir um ecrã de 13′.
Aliado à evolução dos computadores estiveram muitos outros factores, neste caso concreto, abordo as impressoras. Sofreram drásticas mutações ao longo dos tempos, a nível funcional e visual. Existem modelos de impressoras específicos para o tipo de resultado que se pretende. O facto é que nos dias de hoje o acesso a esta ferramenta de trabalho está acessível a qualquer pessoa começando numa baixa gama de preços até atingir elevados quantias, consoante as necessidades, marcas, características, etc. Esta ferramenta é conectada a um computador que lhe dá ordens para impressão de diversos tipos de documentação.
Com este advento da computação gráfica a tipografia ficou disponível para designers gráficos bem como o utilizador comum. Há uma diversidade enorme de fontes ao dispor do utilizador, muitas delas possuindo um passado próximo da criação de caracteres, como referi já o caso da Times New Roman. Como esta existem muitas outras originais desta época que mais tarde foram adaptadas para a versão digital. O facto é que o acesso à impressão tipográfica agora disponível é tão directo que nos ultrapassa a sua história e complexidade de processo da mesma acção, que agora demora uma fracção de segundos a concretizar mas já demorou horas. A vida está tão facilitada ao utilizador que custa acreditar na forma como as coisas se processavam à 5 séculos atrás. Mas a verdade é que muita da informação tipográfica que temos acesso já tem mais muitos anos de existência. Temos um “pequeno tipógrafo” dentro de nós, passando essa acção pelo escolha tipográfica antes de iniciar um texto a ao bater das teclas que fornecem os caracteres pretendidos até à saída dessa mesma informação na impressão.

Metodologia

A diferença que separa o processo de impressão com tipos móveis e da impressão através de informação digital, é o que pretendo representar e demonstrar. Pretendo consciencializar os utilizadores de hoje do que foi o passado de um mesmo objectivo. A maneira mais próxima para a concretização deste intuito é ir directamente à “fonte” e captar imagens do processo passado, mais concretamente um dos processos mais utilizados nos anos 70. Escolho o processo desta fase porque há dificuldade em encontrar Tipografias que ainda disponham deste tipo de material. As que possuem são mais concretamente as máquinas de Impressão Heidelberg, que, entre outros modelos, a “Minerva” é a mais usual encontrar-se. Este modelo em específico apareceu em 1976, ou ainda um pouco mais cedo. Procurei um tipógrafo de profissão, com dezenas de anos de experiência, que me pudesse reproduzir o processo de impressão com tipos móveis na Heidelberg acima descrita. Irei recolher imagens de cada passo do processo até a finalização da impressão. Com as imagens capturadas irei fazer um pequeno filme exemplificativo desse processo. Passo a citar os passos necessários para a concretização da impressão de tipos móveis com uma impressora Heidelberg Minerva:

1º Procurar nos cavaletes (1) o caixotim (2) com a fonte de letra e o tamanho do corpo dos caracteres pretendidos.
2º Uso do componador (3) onde irá ser feita a composição tipográfica.
3º Inicia-se a construção da frase ou texto pretendido sendo encaixado caracter a caracter na horizontal bem como os quadratins (4) (dependendo do espacejamento e entrelinhamento pretendido, que também varia consoante o corpo de letra escolhido).
4º Depois da composição estar terminada coloca-se a mesma dentro da Rama (5) no local em que se prentende que a composição apareça impressa no papel. Esta é preenchida com guarnição (6) nos espaços não ocupados pela composição/chapa. Assim se compactam as peças para que não se soltem na máquina de impressão, a composição é prensada.
5º Quando a rama estiver preenchida é apertada com os cunhos e verifica-se se os caracteres estão bem assentes dando-lhe pequenas pancadas para que fiquem toda ao mesmo nível para que no momento da impressão não surgam anomalias.
6º A rama está preparada para ser inserida na máquina de impressão.

(1) armários com diversas gavetas (caixotins) em que cada uma corresponde a uma fonte tipográfica.
(2) gaveta com fontes tipográficas. Cada caixotim possui um tamanho dessa fonte e todos os caracteres (de caixa alta e baixa), símbolos e números correspondentes à fonte. É dividido em pequenos espaços em que cada um corresponde a um caractere.
(3) caixa onde se faz a composição. Só é utilizado até um determinado corpo de letra, ou seja quando os corpos de letra são reduzidos e a sua composição é mais difícil sendo o seu uso necessário. Em corpos grandes a composição pode ser feita directamente na rama.
(4) peças também em chumbo para comporem o entrelinhamento. Estas peças tem medidas standard correspondentes ao corpo da letra (para o corpo 6 existe um quadratim correspondente).
(5) quadrado em chumbo com medidas standard dependendo da máquina de impressão a ser utilizada onde se coloca a composição e onde esta é prensada e preparada para ir à impressão.
(6) conjunto de peças de chumbo de diferentes dimensões para ser colocadas na rama para prensar a composição e preencher os espaços vazios.

Esta é a fase da construção da composição e da sua preparação para a passagem para a máquina de impressão.
Passos para a iniciação do processo de impressão:

1º Coloca-se a tinta gráfica no cilindro ou no tinteiro da máquina que alimenta rodagem ( a colocação da tinta varia com a quantidade de impressões que se pretendem).
2º Por a máquina em funcionamento para distribuir a tintagem pela rodagem (é distribuída uniformemente no cilindro pelos rolos).
3º Colocar a rama no cofre da máquina.
4º Verificar se a almofada (zona que faz o papel entrar em contacto com a chapa) está em perfeitas condições.
5º Verificar a força de pressão da máquina, em conformidade com o tamanho da chapa.
6º Fazer a afinação das balizas (onde desliza o papel).
7º Afinar a pressão do ar para a passagem das folhas pela almofada (onde é impressa) para a saída.
8º Depois deste processo a máquina encontra-se em condições para se iniciar a impressão.

E “voilá”, temos a impressão tipográfica pretendida.
No caso da impressão da tipografia digital o processo é o seguinte:

1º Abre-se um editor de texto.
2º Escreve-se a frase ou texto.
3º Dá-se a ordem para imprimir
4º Sai impresso o que escrevemos.

Até na observação do texto se reflecte o tempo gasto em cada processo. Depois de possuir as imagens reais que ilustram o primeiro processo, estou em condições de confrontar o mesmo objectivo com o computador que possuo e com uma impressora básica que cada um possui em sua casa.

Finalização/Apresentação

Confrontação das duas realidades temporais concretizando um mesmo objectivo. Irei apresentar o vídeo e depois exemplificarei ao “vivo e a cores” o processo ao dispor de um utilizador de um computador e impressora.

Bibliografia

http://www.wikipédia.com
http://www.priberam.pt

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