Proposta – “HGV – His Golden Voice”

by

Arte e Comunicação Multimédia – Mestrado em Multimédia
Ana Isabel Dias Gomes
Francisco André da Silva Almeida

Título: HGV – His Golden Voice

Objectivos:
Explorar conceitos como interactividade, remixabilidade, sampling.
Criação de uma instalação/ mecanismo sonoro sustentado pela interacção do utilizador.
Registo da “interpretação” do utilizador que resultará num objecto áudio.

Contexto:
His master’s voice é um romance de Stanislaw Lem, publicado em 1968, sobre um grupo de cientistas que tentam descodificar uma transmissão extraterrestre.
His master’s voice é também uma das mais famosas e reconhecíveis marcas registadas do mundo da música. Surgiu numa altura em que o disco de vinil dominava a indústria discográfica.

O Voyager Golden Record foi um disco de vinil incluído nas duas naves espaciais Voyager, lançadas em 1977, com imagens e sons seleccionados para apresentar a diversidade biológica e cultural na Terra a qualquer vida extraterrestre que as possa encontrar. Devido à dimensão reduzida das naves em relação ao espaço intergaláctico, é pouco provável que alguma vez sejam interceptadas; e se tal acontecer, será num futuro longínquo, sendo o disco melhor entendido como uma cápsula do tempo do que como uma tentativa real de comunicação com extraterrestres.

Na actualidade, o vinil desempenha uma função semelhante, se pensarmos num púbico mais abrangente. A nostalgia do som que alguns consideram ser mais “natural” e mais próximo do acústico, transforma o disco numa verdadeira cápsula do tempo. Contudo, e apesar de ter sido ultrapassado em popularidade pelo CD, durante os anos 80, o mercado continua a ser alimentado por entusiastas do vinil como é o caso dos DJs, dos coleccionadores e audiófilos. Além de suporte musical, o vinil é valorizado, acima de tudo, como objecto.

“A phonograph in the hands of a Hip-Hop scratch artist who plays a record like an electronic washboard with a phonographic needle as a plectrum, produces sounds wich are unique and not reproduced – the record player becames a musical instrument.” (John Oswald in Plunderphonics, or Audio Piracy as a Compositional Prerogative)

Neste contexto, surge como propulsor da música hip-hop e do turntablism. Não se limitando a pôr música, o DJ assume-se como artista/ performer manipulando o som através do toque e movimento dos discos.

Ainda assim, as raízes do vinil e dos reprodutores de vinil como instrumentos musicais datam dos anos 30, 40 e 50 quando a musique concrète e outros compositores experimentais os utilizaram de forma similar aos Djs e produtores actuais. Em 1939, John Cage incorpora na peça Imaginary Landscapes nº1 alguns reprodutores de discos de vinil como instrumentos musicais. Em Imaginary Landscapes nº5, o rádio como gerador de som, de ruído, de voz é manipulado por vários músicos. Os sons existem antes do processo de construção musical, antes da partitura, afastando-se de uma interpretação no sentido clássico. Em vez disso, o músico tem acesso a um conjunto de instruções menos rigorosas ou mais subjectivas, ou dependendo de factores externos incontroláveis que lhe conferem uma margem de variabilidade a cada execução.

Numa sociedade que cresceu com a TV e o VCR, em que o computador torna a remixabilidade uma operação fácil, em que a internet aumenta a acessibilidade e localização de materiais de outros períodos, outros músicos, outros artistas, etc., a simples visualização não é satisfatória. Queremos tocar, misturar, brincar com os controlos.

Assim, na instalação, não nos podemos contentar em olhar a imagem do disco de vinil projectada no chão. O utilizador é agulha-DJ deste vinil RGB. A câmara detecta a posição do “intérprete” e toca a faixa correspondente (um dos sons que integram o Voyager Golden Record); detecta o movimento e aumenta ou diminui a velocidade do som. Os sons “emprestados” serão alterados de forma a construir uma nova composição. O resultado sonoro será uma reformulação do Voyager Golden Record.

Numa situação de aplicação podemos pensar no dispositivo como uma pista de dança, misturando-se e confundindo-se público com DJ(s). Neste sentido, o “vinil” pode resultar como um sistema sonoro colaborativo, em que o som é controlado pelo movimento do(s) utilizador(es), embora o inverso possa regular a interacção á medida que o processo se desenvolve. A sonoridade está dependente da forma como o utilizador se mexe no “vinil” o que passa a condicionar os seus movimentos se o utilizador pretender outro tipo de som.


Objecto:

Sistema sonoro interactivo, constituído por um projector, uma câmara e colunas. O projector, colocado no tecto da sala, aponta a imagem do disco de vinil para o chão. A câmara, colocada ao lado no projector, detecta a posição do utilizador que define a faixa que corresponde aquelas coordenadas. O movimento do utilizador aumenta ou diminui a velocidade do som. O resultado final sera uma colagem sonora, a partir de sons já existentes.

Metodologia:
Projecto realizado simultaneamente no âmbito das disciplinas de Laboratório Multimédia 1 e Arte e Comunicação Multimédia, absorvendo para esta última os conceitos artísticos e conceptuais da arte do trabalho de Laboratório.
Pesquisa e desenvolvimento técnico de uma solução que permita realizar a instalação multimédia segundo os objectivos enunciados no ponto prévio.
Na realização técnica da instalação será utilizado as ferramentas de autor Max/MSP, Jitter e/ou Flash.

Bibliografia e referências:
CHION, Michel, Audio-Vision. New York, Columbia University Press, 1994

MANOVICH, Lev, Remixing and Remixability, 2005

OSWALD, John, Plunderphonics, or Audio Piracy as a Compositional Prerogative, Toronto, Wired Society Electro-Acoustic Conference, 1985

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