Cartografia digital do património da Região Demarcada do Douro
Susana Marques – mm07011
I – Objectivo
O objectivo é divulgar no mundo virtual o património da Região Demarcada do Douro e contribuir para a sua preservação.
II – Contexto Histórico
a) O Museu do Douro
O desejo de criar na Região Demarcada do Douro, um museu com competências para preservar, valorizar e divulgar o património material e imaterial da região, tem raízes no século XIX. Porém, seria nos inícios do século XX que a ideia começaria a ganhar forma, e só no final desse século teria concretização formal.
A criação do Museu do Douro, em 1997, pelo decreto de lei 125/97 da Assembleia da República, aprovado por unanimidade, seria um sonho tornado realidade para os muitos durienses que ansiavam por um museu que representasse a sua região.
Segundo a lei que presidiu à sua criação, o museu assume responsabilidades na área da museografia, investigação e da acção cultural. O museu não seria apenas um edifício com as suas colecções, mas o seu objecto de estudo, divulgação e acção cultural, seriam os 250.000 hectares, nos quais se incluem os vinte e um concelhos pertencentes à RDD (Região Demarcada do Douro). Assim, a instituição museológica da região assumir-se-ia como um centro dinâmico de acção cultural, “configurando um museu do território, polivalente e com estruturas diferenciadas, estruturado para reunir, conservar, recuperar, estudar e divulgar os elementos da cultura material e imaterial com maior carga identitária para a região do Douro” (Pereira, 2004)
A missão do Museu do Douro, enquanto museu do território passa pela representação da área que lhe foi atribuída por lei, a Região Demarcada do Douro, sem barreiras temporais, espaciais ou temáticas, construindo saber e promovendo condições que favoreçam o desenvolvimento, a dignidade da pessoa, a qualidade de vida das comunidades, a preservação e valorização dos recursos naturais e culturais, incentivando hábitos de procura e de fruição cultural na RDD.
b) Os museus e a internet
A internet evidencia um incontornável potencial informativo e comunicativo, sob diferentes perspectivas: rapidez de circulação, número de pessoas que atinge e áreas geográficas que abarca; e devido às suas características de imaterialidade, instantaneidade e multimédia; democratiza o acesso à informação e a determinados tipos de bens, facilita a comunicação entre pessoas e instituições e universaliza as oportunidades, eliminando as barreiras espaciais, geográficas e temporais.
Os avanços da tecnologia e a necessidade de novos públicos leva os museus a aderir e tirar partido das novas tecnologias para a divulgação e valorização do seu espólio. Esta nova atitude dos museus tem repercussões na sua gestão interna mas também na sua projecção externa.
A internet apresenta-se aos museus como um meio fácil, económico e de grande impacto para difusão das suas colecções e das suas iniciativas. Num processo complexo, como é o da difusão do património cultural, em que este se apresenta como testemunho da história e evolução de uma região, país ou população, assume-se como um elemento de identidade, de memória colectiva e tem um papel preponderante no desenvolvimento da comunidade local onde se insere; pode ser um elo de fortalecimento da identidade dessa comunidade e um factor de desenvolvimento local, económico, social, turístico e cultural. (Pinho, 2004); as tecnologias de informação e comunicação, em particular o multimédia e a presença na internet, assumem a liderança.
Devido às suas características, a internet permite uma actualização contínua da informação, acesso democrático, económico e imediato, além de uma aproximação estratégica entre o utilizador e a instituição cultural.
III – Projecto
O projecto proposto pretende aliar às competências atribuídas pelo decreto-lei ao museu do território (Museu do Douro) e divulgar, valorizar no mundo virtual o património da Região Demarcada do Douro (RDD), contribuindo para a sua preservação.
A ideia é a partir de alguns exemplos do inventário do património da RDD, efectuado pela equipa do Museu do Douro, e recorrendo ao Google Earth, versão Freeware, desenvolver uma cartografia digital do património da Região Demarcada do Douro aliada a conteúdos informativos que podem ser disponibilizados no próprio Google Earth (caso seja possível, na versão gratuita), ou recorrendo a um blog / página Web.
Os conteúdos informativos irão passar pela descrição do contexto do monumento / mancha paisagística / património imóvel; fotografias, descrição histórica e localização GPS.
IV – Metodologia
A metodologia adoptada para este projecto é:
- Usar, alguns exemplos, do inventário dos “Marcos da Demarcação” (trabalho de levantamento de campo durante o ano 2006), com a localização GPS, fotografia do marco e envolvente, breve descrição histórica e física do mesmo.
- Usar, alguns exemplos, do inventário “Arquitecturas da paisagem”, no qual foi efectuado um levantamento das 57 manchas de paisagem tradicional do Douro Vinhateiro (muros de socalco, muros de granito);
- Efectuar o levantamento de alguns monumentos conhecidos da RDD e respectivas localizações GPS, fotografias de envolvente e dos monumentos.
- Utilizar o programa “ Google Earth”, “Panoramio” e arquivos KML, para inserir as coordenadas GPS e conteúdos informativos.
- No caso de não ser possível a inserção de conteúdos / fotografias no Google Earth, devido a limitações colocadas pelo próprio programa na versão gratuita, pondera-se a criação de um blog ou Web site com os conteúdos não autorizados.
Embora esteja prevista a integração desta cartografia no website do Museu do Douro, e o desenvolvimento deste projecto, este está limitado a nível orçamental. No entanto, está previsto, caso as condições financeiras o permitam, utilizar um sistema de modelação do terreno e implementação urbanística e paisagística dos monumentos, em colaboração com as diferentes autarquias da RDD e disponibilizá-lo on-line no website do Museu do Douro. Uma segunda opção é trabalhar em conjunto com o projecto “O Douro em 3D”, projecto desenvolvido pelos Governos Civis dos distritos pertencentes à RDD.
V – HORIZONTE TEMPORAL
A primeira fase do projecto será desenvolvida ao longo do segundo semestre e está em parte relacionado com a minha proposta de tese (Aplicações multimédia em ambiente museológico).
No futuro, o objectivo é que todo o património imóvel e paisagístico classificado da RDD esteja disponível on-line.
VI – Bibliografia
AA.W (2002) “Museus da Universidade do Porto. Projecto Museológico. Relatório base do programa preliminar.”, Revista da Faculdade de Letras Ciências e Património 1, pp.221-246
Decreto de Lei 125/97
NAKOU, I. (2006), Museus e Educação Histórica numa realidade, Curitiba, Brasil: Editora UFPR, Especial, p. 261-273
Pereira, Gaspar Martins Pereira (2004), Relatório de Missão, Janeiro 2002 – Abril 2004, Peso da Régua: Museu do Douro
Pinho, Joana Balsa de (2004) Museus e internet – recursos online nos sitios web dos museus nacionais portugueses
Portaria de 7 de Fevereiro de 1972 – Legislação, definições, fases de projecto, categorias de obras e Honorários
Sumption, Kevin (2001), “Beyond Museum Walls” – A Critical Analysis Of Emerging Approaches To Museum Web-based Education, Powerhouse Museum, Australia: Australian museum On Line
Websites:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Google_Earth, 23 Janeiro 2008
http://www.infowester.com/tutgoogleearth.php, 23 Janeiro 2008
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1054700-EI4804,00.html, 23 Janeiro 2008
http://bbs.keyhole.com/ubb/showthreaded.php?Number=210325, 23 Janeiro 2008
http://pt.wikipedia.org/wiki/Panoramio, 23 Janeiro 2008



